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Psicologia Experimental

Psicologia Experimental

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O que é a Dissonância Cognitiva?

Durante as suas investigações, Festinger observou que as pessoas procuram dar um sentido ao seu mundo e que a coerência é um fator fundamental para o conseguir. Assim, as pessoas adotam rotinas e hábitos, como comer a horas fixas, ter lugares preferidos para estacionar, cuja alteração as faz sentir incomodadas. Isto também ocorria em relação aos modelos de pensamento habituais e às crenças. Quando uma opinião muito consolidada enfrenta provas que a contradizem, surge um estado interno de incómodo e incongruência a que Festinger chamou de «dissonância cognitiva»

A dissonância cognitiva refere-se às situações que envolvem um conflito de atitudes, crenças e comportamentos. Este conflito desencadeia um sentimento interno de desconforto e conduz a uma mudança numa das duas atitudes, crenças ou comportamentos para minimizar ou eliminar o desconforto e restaurar o equilíbrio.

 

 

Exemplo:

A Raposa e as Uvas (Esopo 620-564 a.C.)

Uma raposa entrou faminta num terreno onde havia uma parreira (videira), cheia de uvas maduras, cujos cachos se penduravam, muito alto, em cima da sua cabeça. A raposa não podia resistir à tentação de comer aquelas uvas, mas, por mais que pulasse, não conseguia abocanhá-las. Cansada de pular, olhou mais uma vez os apetitosos cachos e disse:
– Estão verdes...

 

  Detalhes da Experiência:

 A experiência mais conhecida sobre dissonância cognitiva foi conduzida por Festinger e Carlsmith. No seu estudo pediram aos participantes que fizessem uma série de tarefas entediantes (tais como, rodar peças de madeira numa placa durante uma hora). A atitude inicial em relação à tarefa foi altamente negativa.

 

Em seguida foi-lhes pedido, que a troco de dinheiro, convencessem os participantes, que ainda estavam na sala de espera, que a experiência era bastante interessante e divertida. Quase todos os participantes concordaram em dizer que a tarefa era bastante interessante e divertida, apesar de a ter achado bem aborrecida.

 

Quando mais tarde os participantes avaliaram a experiência, aqueles que tinha apenas recebido 1 dólar avaliaram a tarefa (aborrecida) como sendo mais interessante e divertida do que os que tinham recebido 20 dólares. Ser pago com 1 dólar não foi um incentivo suficiente para mentir e por isso os que receberam essa quantia experienciaram dissonância cognitiva. Eles apenas poderiam ultrapassar essa dissonância começando a acreditar que as tarefas eram mesmo interessantes e divertidas. Por outro lado, ser pago com 20 dólares justifica rodar as peças de madeira mesmo que achem aborrecido, e por isso não experienciaram dissonância.