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Psicologia Experimental

Psicologia Experimental

Mary Ainsworth (1913-1999) colaborou com John Bowlby e dedicou-se ao estudo da relação materno-filial. 

Em 1969 desenvolveu uma técnica conhecida como "situação estranha" para estudar como os bebés equilibram a sua necessidade de apego e autonomia em diferentes níveis de stress.

Descrição da Experiência:

A investigadora colocava uma mãe e o filho com cerca de um ano de idade numa sala com brinquedos para que o bebé pudesse brincar e observava as interações de ambos antes e depois da introdução de uma pessoa desconhecida na sala. 

A situação estranha incluia momentos em que a mãe saia da sala e deixava o bebé com o desconhecido, para logo regressar. 

Para Ainswoth, a informação mais relevante sobre o vínculo mãe-filho não era proveniente da reação do bebé quando a mãe saía, mas de como reagia ao seu regresso, e sugeriu que as reações do bebé depois de voltar a reunir-se com a mãe indicam três modelos ou tipos de apego.

Tipos de apego

  1. Vinculação segura: cerca de 70% dos bebés dos estudos de Ainsworth apresentavaram este tipo de apego, em que eles utilizavam a mãe como base segura a partir da qual faziam explorações. Mostravam mal-estar se a mãe saia da sala, mas brincavam tranquilamente, inclusive na presença de um desconhecido, sempre que a mãe não estivesse acessível.
  2. Vinculação ansioso-evitante: cerca de 15% dos bebés apresentaram este tipo de apego. Estes bebés pareciam indiferentes à mãe e apenas reagiam quando esta deixava a sala. Consolavam-se tanto com o desconhecido como com a mãe. 
  3. Vinculação ansioso-ambivalente: os restantes 15% dos bebés apresentavam este tipo de apego. Mostravam receio perante o desconhecido, inclusive na presença da mãe. Quando esta saía da sala davam provas de intenso mal-estar, mas continuavam aborrecidos e resistiam ao contacto com ela quando regressava.

 Ainsworth afirmou que o tipo de apego é em grande medida determinado pela sensibilidade da mãe. Uma mãe sensível  entende as necessidades do filho e responde adequadamente, criando assim uma vinculação segura.

 

Elizabeth Loftus é uma psicóloga norte-americana, especialista em memória humana que desenvolveu uma extensa pesquisa acerca da natureza das memórias falsas.

 

Nas décadas de 80 e 90, os Estados Unidos viveram uma epidemia de "recuperação de memória" de abusos sofridos na infância, com pacientes de psicólogos e de psicoterapeutas  que recordavam subitamente terem sido vítimas de violência – geralmente, sexual – por parte de pais, professores ou outros adultos.

 

 Vários processos judiciais foram abertos pelas "lembranças" ressurgidas. O que Elizabeth Loftus tentou demonstrar foi que era possível que as memórias fossem falsas e tivessem sido criadas e implantadas na mente dos pacientes pelos próprios terapeutas.

 

Na década de 90, Loftus e Jacqueline E. Pickrell tentaram implantar uma memória específica em adultos, que hipoteticamente teria ocorrido quando tinham 5 anos de idade e que envolvia estar perdidos num shopping ou numa grande loja.

 

As autoras questionaram os 24 participantes, com idades entre os 18 e os 53 anos, para se tentarem lembrar de eventos de infância que tinham sido relatados às investigadoras por um familiar. Para cada participante foi preparada uma brochura com quatro historias, contendo três delas eventos que de facto aconteceram (foram relatadas pelos familiares) e a quarta, um acontecimento falso, construído pelas autoras sobre um possível passeio ao shopping. Foi confirmado pelos familiares que o participante nunca se tinha perdido aos cinco anos. O enredo da história “perdido no shopping” incluiu os seguintes elementos: perdido durante um período prolongado, choro, ajuda e consolo por uma mulher idosa e, finalmente, a reunião com a família.

 

Depois de ler cada história da brochura, os participantes escreveram sobre o que eles se lembravam do evento. Se eles não se lembrassem dele, eram instruídos a escrever “eu não me lembro disto”.

 

Em duas entrevistas seguidas, as investigadoras informavam os participantes acerca do seu interesse em comparar detalhadamente as suas recordações com as dos seus parentes. Os parágrafos sobre o evento não foram lidos literalmente aos participantes, em vez disso foram fornecidos excertos para sugerir a recordação. Os participantes recordaram aproximadamente 49 dos 72 eventos verdadeiros (68%) logo depois da leitura inicial da brochura e também em cada uma das duas entrevistas seguidas. Depois de lerem a brochura, sete dos 24 participantes (29%) lembraram-se tanto parcialmente como totalmente do falso evento construído para eles, e nas duas entrevistas seguidas seis participantes (25%) continuaram a afirmar que eles se lembravam do evento fictício.

 

Estatisticamente, havia algumas diferenças entre as verdadeiras e as falsas recordações: os participantes usaram mais palavras para descrever as recordações verdadeiras, e avaliaram-nas como estando um pouco mais claras do que as recordações falsas. Mas se um espectador fosse observar muitos dos participantes a descreverem um evento, seria realmente difícil para ele dizer se a história era uma recordação verdadeira ou falsa.

 

Claro que estar perdido, por mais assustador, não é o mesmo que ser molestado. Mas o estudo de “perdido no shopping” não é sobre experiências reais de estar perdido; é sobre implantar falsas memórias de estar perdido. O modelo mostra um modo de induzir falsas recordações e dá um passo em direcção ao entendimento de como isto poderia acontecer no mundo real. Além disso, o estudo fornece evidência de que as pessoas podem ser conduzidas a lembrarem-se do seu passado de modos diferentes, e elas podem até mesmo ser persuadidas a “lembrar-se” de eventos completos que nunca aconteceram.

 

Artigo de Elizabeth Loftus: Criando Memórias Falsas

 

Em 1971 um grupo de psicólogos sociais, liderados por Philip Zimbardo levou a cabo uma experiência que ficou conhecida como a Experiência da Prisão de Stanford.

 

A experiência consistiu na simulação de uma prisão em que os papéis de guardas prisionais e de prisioneiros foram atribuídos a estudantes voluntários, com características psicológicas semelhantes e que visava estudar os efeitos psicológicos da vida numa prisão.

Previa-se uma duração de quinze dias e, segundo as regras, quem quisesse poderia abandonar a experiência a todo o momento.

Apesar das regras bem definidas e de todos os participantes saberem que se tratava de uma simulação da realidade e de um estudo científico, a verdade é que a experiência foi interrompida ao fim do sexto dia, porque os participantes começaram a viver com total entrega e intensidade os seus papéis, confundindo a representação com a realidade vivida e identificando-se com os personagens que encarnavam.

Alguns "guardas" tornaram-se especialmente violentos, abusaram da autoridade que lhes havia sido concedida e humilharam os seus "prisioneiros", deixando mesmo de cumprir as regras da "prisão".

Por seu lado, os "prisioneiros" foram-se tornando submissos, obedecendo gradualmente às ordens mais absurdas.


1.24 homens entre 18 e 24 anos foram seleccionados e divididos em dois grupos: guardas e prisioneiros.
2. Os prisioneiros foram levados a uma esquadra real, fechados e recolhidos numa prisão construída no laboratório de psicologia
3. Lá, eles foram revistados, uniformizados e colocados em celas, onde eram vigiados e punidos pelos guardas
4. Revoltados pelo tratamento, os prisioneiros revoltam-se. Os guardas  acabam por usar a violência para acabar com a rebelião. Um dos prisioneiros dá sinais de esgotamento e tem que ser solto. Aumentam os castigos e tarefas humilhantes
5. O comportamento dos guardas torna-se cada vez mais agressivo. Três prisioneiros têm colapsos. A experiência prevista para 15 dias acaba no sexto
  Ilustrações: Edivaldo Serralheiro

 

 

"Dentro de cada um de nós há um conformista e um totalitário, e não é preciso muito mais do que o uniforme certo para que ele venha à tona".

Link: Entrevista com Philip Zimbardo